Inclusão digital é tema da Portela no Carnaval do Rio de JaneiroFebruary 17, 2010, by Luis Henrique Silveira - No comments yetViewed 80 timesCom um desfile sempre tradicional, a Portela entrou na Sapucaí disposta a inovar. O enredo Derrubando fronteiras, conquistando liberdade… Rio de Paz em estado de graça abordou a revolução tecnológica e a inclusão digital.
Logo no abre-alas, formado por dois carros acoplados, a águia ganhou traços mais modernos e tons de prata. Já a comissão de frente desfilou iluminada e representou os passos da evolução com o auxílio de um tripé. Em uma das alegorias que passaram pela avenida em seguida, um telão exibiu mensagens SMS mandadas em tempo real pelo público, exaltando a interatividade.
Uma águia "transformers", uma bateria "megabyte", uma rainha "fibra ótica" e, para finalizar, uma batucada rave. Juntos, esses componentes conseguiram conectar a tradicional Portela ao que há de mais moderno na Avenida. Para fazer com que a águia da escola representasse um backbone (aparato de ligação de rede de computadores) os novatos carnavalescos Alex Oliveira (ex-rei Momo) e Amauri Santos ousaram. Certo é que surpreenderam e deixaram o público boquiaberto.
- Muito lindo e emocionante. No início, quando vi o abre-alas, achei que tivessem matado o símbolo da escola, estava revoltada. Mas quando a águia se transformou... Não sei nem explicar, bateu um frio na barriga, foi lindo demais - contou a técnica de enfermagem Anamara de Oliveira, 42, que assistiu a tudo no setor 1.
A escola decidiu falar da inclusão digital como forma de aproximar as pessoas de diferentes classes sociais e desfilou fantasias inspiradas no mundo dos computadores. A ideia era explorar as possibilidades da internet. Os carnavalescos localizaram no Rio de Janeiro experiências de resultados positivos, como a instalação de banda larga em favelas ocupadas e pacificadas pela polícia - tema do último carro, "Rio de Paz para viver". Nas alas, fantasias lembravam recursos do computador, como "atalho", "arquivos", "senhas". Os destaques foram o abre-alas, em que a águia da Portela apareceu cibernética, e o carro que fez alusão a um parto efetuado não por um médico, mas por um robô.Maria Inês Souza dos Santos, de 81 anos, 11 deles dedicados aos desfiles da azul-e-branco de Madureira, não entendia muito do samba-enredo. Admite que passa ao largo de bits, bytes e menos ainda entende de bluetooth... Mas veio vestida de Orla Digital e estava empolgada.
- Meus filhos e meus netos são bons nisso. Eu sei fazer uma coisa ou outra. Muito pouco, não o suficiente para passar em algum teste - confessa a mais autêntica componente da ala das baianas (nasceu em Santo Antônio de Jesus, no interior da Bahia).
Na Velha Guarda, seu João Carlos Pereira, ou apenas Pereira da Portela, há 40 anos na escola, era outro sem muito talento com a última geração cibernética.
- Tomo uma surra, mas achei fundamental a Portela mostrar esses avanços na Marquês de Sapucaí. Nossa rotina está diretamente ligada com a tecnologia - lembra.
Enredo aprovado pelos baluartes, hora do show. Mais do que falar dos avanços tecnológios a ideia era tratar da inclusão social. Para mostrar que a acessibilidade é possível, uma ala foi montada só com cadeirantes - muitos atravessavam pela primeira vez a Sapucaí.
- Cadeirantes têm samba na roda. Nunca desfilei, é minha estreia, estou empolgado. Afinal, falar de acessibilidade é muito importante, e a tecnologia está aí para nos ajudar - contou o estudante Pedro Henrique, 20 anos.
Enquanto muitas escolas acreditavam que a paradinha funk era o que de mais moderno poderia aparecer na Passarela do Samba, a Portela quis surpreender.
- A ideia de montar uma paradinha rave foi sensacional. Eles prepararam uma coreografia só para mim, atravessar no meio dos ritmistas foi único, lindo demais - suspirava de alegria a recém-empossada rainha de bateria Juliana Portela, que veio vestida de Fibra Ótica.
Falta de verba
O presidente da Portela, Nilo Figueiredo, sabia que o enredo era desafiador. "Não é difícil de entender, mas é difícil de desenvolver. Só tem que se temer se não há recursos, e esse até é o nosso caso. Mas vamos trabalhando", disse Figueiredo, minutos antes do início do desfile. A falta de dinheiro (apesar do patrocínio da empresa Positivo, maior fabricante brasileira de computadores, citada indiretamente no samba) era visível: as fantasias estavam mal acabadas, com peças caindo, e faltaram adereços para alguns componentes. O samba teve entre seus autores o sambista portelense Diogo Nogueira.
No ano passado, a Portela ficou em terceiro lugar com um enredo que falou de amor.
Flávia Salme e Thiago Feres, JB Online
Roberta Pennafort Agencia Estado
Diário GaúchoPSL-Brasil - Inclusão digital é tema da Portela no Carnaval do Rio de Janeiro - Software Livre
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